quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sobre o possível reajuste nos salários dos deputados Federais


Depois de terem uma redução de 20% na cota aérea, a intenção dos deputados é defender uma proposta que aciona os benefícios mensais aos salários que aumentariam de R$ 16,5 mil para 24,5 mil. Isso significa dizer que, depois de perderem os benefícios que garantiam passagens e outras regalias às famílias, os parlamentares agora querem aumentar a renda mensal esperando compensação pela decisão dos líderes.


As discussões sobre este assunto são em torno do cenário dramático do qual a população vive atualmente. A crise financeira, que tem assustado as pessoas, não barra a Constituição a estabelecer aumento para deputados estaduais e vereadores.


A outra indignação da sociedade envolve, atualmente, o número de pessoas que passam fome no mundo. Este registro aumentou em 2008 para 963 milhões, contra 832 milhões armazenados em 2007, segundo o último relatório da ONU – Organização das nações unidas - anunciado pelo diretor da FAO, Jacques Diouf em janeiro deste ano. Neste episódio, os parlamentares, que circulam com as famílias de um lado para outro em aviões de primeira classe, o retrato da pobreza é desconhecido na Câmara Federal, que nada tem feito para mudar esta realidade.


Se de um lado a passagem de avião é “merecida” aos deputados, do outro, o direito, que inclui a melhor distribuição de renda do país, é ignorado pela política brasileira.
Atualmente os gastos dos senadores são de R$ 22 milhões ao ano. E se as ações na Câmara continuarem no mesmo ritmo esse número só tende a aumentar . E na outra cena do Brasil, o número que corresponde à fome no país, automaticamente também aumentará.

domingo, 26 de abril de 2009

Sobrevivência dentro de oito metros quadrados


A história de Ricardo Tereza, o homem que, aos 20 anos, contraiu o vírus HIV e desde então, sem condições de locomoção, passa os dias dentro de uma pequena residência na comunidade Mirassol.


Por Kelley Alves



A aproximadamente 186 km de Florianópolis, um município chamado Içara comanda o distrito Balneário Rincão, que traz veranistas de toda a região na temporada do verão. A praia possui atrativos turísticos que, ao longo dos anos, levou o nome do Rincão a todo o estado. Em 2008 e começo de 2009, shows nacionais da cantora Ivete Sangalo e do cantor Daniel reuniram aproximadamente 60 mil pessoas, destacando ainda mais o local.


Contudo, uma pequena comunidade (pequena em relação à importância) não pôde estar nesses shows. A maioria nem soube da existência desses eventos.


O bairro Mirassol, apesar de ser um dos locais do balneário, vive a margem de todo lazer e atrativos turísticos que a cidade possui. É que a pobreza e a situação precária em que aquelas pessoas vivem são suficientes para mostrar que cada uma tem uma árdua tarefa dia-a-dia: lutar pela sobrevivência. Shows, laser e diversão não existem quando a fome e a saúde estão em primeiro lugar na vida do ser humano.


Ao entrar na vila, qualquer cidadão comum chegaria à conclusão que aquelas pessoas foram esquecidas pelo poder público.


Ricardo Tereza dos Santos tem 41 anos e é um dos integrantes desta comunidade. Se a maioria dos moradores deste lugar vive presa a um espaço pobre e sem estrutura, Ricardo não tem nem a oportunidade de conhecer o bairro em que mora.


Fui até a presidente da associação de moradores que me encaminhou à “casa” do cidadão. Caminhando pela pequena comunidade pude perceber o quanto as casas são próximas umas das outras, de maneira apertada e agoniante. Isso para que o espaço seja suficiente para abrigar todas aquelas famílias. As moradias são improvisadas com madeiras que servem de “tapa buraco”. Como se trata de praia, uma parte do local é caracterizada pelas dunas que finalizam a vila. Algumas habitações ainda são construídas perigosamente sobre essas areias, o que é proibido em qualquer município (para isso serve o plano diretor de toda cidade).

Ambientalistas de todo o mundo alertam sobre o perigo, para o meio ambiente, de construções em cima das dunas. Os sumidouros das casas acabam comprometendo o lençol freático responsável pelo abastecimento de água para a população.

De repente, me deparei com uma “meia água” de mais ou menos 8 m². Ela estava absolutamente fechada. Parecia não ter ninguém, mas o morador que foi encarregado de me levar ao local garantiu: “é aqui que o Ricardo mora!”. Ao lado, havia um vizinho que, residente de uma casa um pouco maior, dava água ao cachorro que latia desesperadamente.


- O Ricardo Tereza está em casa?


- Sim! Ele sempre ‘ta’ em casa, moça! Mas se o irmão que cuida dele não “tiver” ali, ele não pode abrir a porta. Mas hoje cedo ele ‘tava’ aí.


Finalizando a frase, ele largou a mangueira se direcionando para o muro que divide as duas casas. Com uma voz alta e firme, ele gritou: “Charles!”. Não sendo respondido, o vizinho tentou por três vezes (parecia não desistir enquanto não me ajudasse). De repente, uma voz:


- Que foi?


- Tem uma moça aqui querendo falar com você.


Depois de mais ou menos um minuto e meio, o cidadão chamado Charles abriu a pequena porta da meia-água. Assustei-me ao notar o zíper e o botão da calça jeans, que ele vestia apressadamente ao caminhar até o portão, estavam quase impossíveis de ser fechados. Descendo uma escadinha de madeira improvisada na porta, ele parou e finalmente conseguiu me atender no portão.


Apresentei-me falando do meu interesse em conhecer o irmão dele:

- Agora ele “ta” dormindo, moça.


Com um pouco de insistência, consegui entrar no local. Antes ele alertou:


- Não repara “na” minha casa!


Charles é um mulato de 40 anos com olhos pretos e arregalados, boca fina e nariz achatado. Ele estava sem camisa e com uma calça jeans desbotada e rasgada nas barras. Andava descalço e eram notáveis as feridas que, praticamente, cobriam os seus pés. Percebendo que notei as feridas ele disparou:


- Aqui no bairro tem muito bicho-do-pé, moça. A prefeitura até veio aqui “botar” remédio, mas não mudou muito!


De acordo com o Podólogo Orlando Madella Jr. o bicho-do-pé é uma pulga feminina de nome científico Tunga penetrans, que se aloja na pele para se alimentar do sangue e pôr ovos. É uma infecção caracterizada por inchaços dolorosos localizados principalmente ao redor de onde o inseto penetrou, sob as unhas do pé nas partes mais moles ou entre os dedos do pé. Pode-se pegar o bicho-do-pé em qualquer local do corpo. As larvas são de vida livre, sendo encontradas em habitações de chão de terra, em solos arenosos e praias, mas sempre em locais sombreados. O adulto (pulga) possui coloração marrom avermelhada e mede aproximadamente um mm de comprimento, porém, uma fêmea grávida pode chegar a medir o tamanho de uma ervilha. É a fêmea adulta e fertilizada quem possui a capacidade de perfurar a pele do homem, porco e outros mamíferos, com suas partes bucais. Ela aloja-se dentro do corpo do hospedeiro até que o último segmento abdominal esteja paralelo com a superfície da pele. Alimenta-se de seu sangue e expele os ovos maduros pelo ovipositor, ficando estes na ponta de seu abdômen. Uma fêmea pode produzir de 150 a 200 ovos durante um período de 7 a 10 dias.


Voltando ao principal assunto, a casa de Ricardo é dividida em quatro cômodos. O telhado de madeira é mascarado com uma espécie de tecido que serve para impedir a entrada dos raios solares. A mesa e a pia da cozinha, que recepcionam a casa, estavam tomadas de pratos, copos e talheres sujos. Ao entrar na residência fui obrigada a trancar a respiração, pois de dentro da casa vinha um cheiro insuportável. Cocei o nariz e disfarcei para que Charles não percebesse o meu mal estar. Ao ver grande quantidade de insetos que andavam sobre a louça que enchia a pia, a única coisa que eu desejava naquele momento era que Charles não me oferecesse um cafezinho ou algo parecido.


De repente, olhando para frente, deparei-me com um homem estirado numa cama logo à frente, no canto superior da meia água. Era ele: Ricardo!


Imaginei encontrá-lo em uma cadeira de rodas. Porém, as condições precárias só o permitem se conformar com a cama de madeira que sustenta um colchão fino e sujo, ao qual Ricardo passa e passou grande parte de sua vida.


Ao tentar conversar com ele, tive dificuldades em ouvi-lo. Isso porque ele não consegue se expressar. O irmão, Charles, quase não permitia que ele falasse, respondendo por ele a todas as perguntas que eu fazia.


Ricardo, assim como Charles, é um mulato de mais ou menos 1,60m de altura. Ele tem olhos grandes e pretos que transmitem uma expressão de medo. As barbas não-feitas e as unhas compridas sinalizavam a incapacidade de cuidar da higiene pessoal. Mesmo já sabendo do caso, perguntei o que o fazia estar naquela cama.


- Ele teve derrame, respondeu o irmão.


De acordo com um dos artigos publicado no site da Lincx – Serviços de Saúde, com sede em São Paulo, a tuberculose é uma doença que pode afetar virtualmente qualquer um dos sistemas orgânicos e pode ser devastadora se não tratada adequadamente. O recente aumento na incidência de tuberculose na população, tanto entre os indivíduos imunodeprimidos quanto entre os imunocompetentes, fez com que esta doença passasse, novamente, a ser uma das prioridades mundiais em saúde. A tuberculose pode exibir uma grande variedade de achados clínicos e radiológicos e tem propensão a se disseminar a partir de um foco primário. [...] Até meados da década de 80 havia um declínio marcante na prevalência de tuberculose. Porém, a partir do início da pandemia de AIDS e com o aparecimento de formas resistentes do Mycobacterium tuberculoses houve um ressurgimento da doença. Além dos pacientes imunodeprimidos, havia outros grupos de maior risco para a doença: moradores de rua, alcoólatras, prisioneiros, imigrantes e população geral vivendo em más condições sanitárias, idosos, pacientes internados em asilos, Ricardo era alcoólatra e usuário de drogas antes de ser portador da doença.
Porém, eu sabia que não se tratava somente de um derrame. O medo do preconceito o fez mentir.


Relevei e questionei os detalhes da doença. Ricardo não movia a mão direita e a perna. Há vinte anos, ele teve tuberculose, o que gerou o derrame. Esse problema se deu pouco depois de um impasse ainda maior. Uma mulher, que também estava no local assistindo a toda cena, questionou:


- Ele não tem Aids?


O irmão rapidamente me olhou assustado, vagarosamente baixou a cabeça e, com um ar de tristeza e desmotivação, respondeu positivamente.


Depois de um longo papo com Charles (ele nunca deixava o irmão responder), pude perceber que o motivo que o fez me deixar entrar e conversar com a família era a esperança de algum dinheiro ao fim da conversa.


Pude perceber ainda mais as reais intenções de Charles quando conversei com a coordenadora do programa DST/HIV/Aids, a assistente social Samira Abinur. O programa é desenvolvido em Içara e, segundo a coordenadora, atualmente atende a 232 pessoas entre portadores de Aids, HIV (nesse caso a doença ainda não se desenvolveu) e doenças sexualmente transmissíveis.


Em julho de 2008 a ONU divulgou dados apresentando o Relatório Global sobre Epidemia de Aids 2008, realizado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre DST/Aids (Unaids). O levantamento é baseado nos relatórios enviados por 147 países às Nações Unidas e na revisão global de estimativas a partir dos novos dados disponíveis em cada país. Os números computados revelam que houve uma queda no número de infectados, porém o seu nível ainda é inaceitável: são 33 milhões de pessoas no mundo com a doença. A África Subsaariana é a região mais atingida, com 22 milhões de pessoas com Aids. O país com o maior índice de contágio na América Latina é o Brasil, com cerca de 730 mil pessoas infectadas. A cada ano, 30 mil pessoas contraem HIV no país. O relatório constata que o número de pessoas com o HIV está aumentando devagar, por causa das terapias que prolongam a vida dos portadores, porém a infecção está longe de ser eliminada.


Conversei com Samira pelo telefone, a voz doce e despojada demonstrou interesse e gosto pela profissão. Contrariando as afirmações de Charles a moça me contou que Ricardo é sim atendido pelo programa e que, inclusive, já esteve participando de algumas terapias que são oferecidas para o grupo. Ela me contou que antes de ser portador do vírus Ricardo era usuário de drogas a consumia bebidas alcoólicas frequentemente. Segundo Samira, em casos como este, a recuperação é mais difícil já que o paciente não tem como principal objetivo a cura, mas a vontade de voltar aos vícios. Perguntei a ela sobre a possibilidade do município dispor uma clínica com todos os cuidados necessários a sua doença e, para cobrir os gastos, depositar a sua aposentadoria na conta dessa clínica, como Charles havia sugerido entre os intervalos das minhas tentativas de conversa com Ricardo.


- Hoje o município não dispõe de uma clínica especificamente para casos como o de Ricardo. O que dá para fazer, inclusive nós até já fizemos, seria interná-lo em um asilo para lá ele receber os cuidados. Porém Ricardo é muito novo, dificilmente seria aceito este recurso, explicou a coordenadora.


Depois disso cogitei a possibilidade do município doar uma cadeira de rodas a Ricardo (eu queria de qualquer maneira que esta história tivesse um final feliz).


- Essa seria uma questão a ser tratada com a secretaria de saúde. Atualmente cada um dos pacientes que atendemos no programa gasta, em média, R$ 1.500 a 3.000 reais. O tratamento é caro porque os remédios em si são caros e os exames também tem um custo alto.


O programa DST/HIZ/Aids, alem de distribuir remédios aos portadores sem condições financeiras, disponibiliza tratamento psicológico, terapia em grupo, tratamento clínico, toda parte social, alem de dispensar cestas básicas. Samira contou que Ricardo não tem interesse em usufruir dos recursos disponibilizados. Segundo ela ele até começa, mas sempre acaba “desistindo no meio do caminho”. Os custos para o programa são disponibilizados pelo governo do Estado.


De volta ao episódio do dia 4 de abril, data em que visitei o bairro Mirassol. Ricardo me olhava assustado, tudo parecia estranho e a minha presença parecia o incomodar. Ao mesmo tempo, seu semblante triste mostrava que ele queria dizer algo, mas não tinha coragem.
De volta ao cenário no bairro Mirassol, Charles começou a falar que a vida do soropositivo é dentro daquela pequena casa.


- Eu não tenho forças para levá-lo para andar nas ruas. Não temos condições de comprar uma cadeira de rodas e por isso a vida dele é aqui dentro.


Perguntei a Ricardo qual era o sonho dele. Mesmo com dificuldade em falar e sendo interrompido pelo irmão, as palavras do enfermo foram claras e objetivas:


- Eu queria uma cadeira de rodas.


Ricardo Tereza, aos 41 anos, lembra com tristeza de sua juventude. Ao se relacionar com uma mulher, aos 20 anos, ele contraiu o vírus. Sem entender muito bem do que se tratava, ele seguiu a vida normalmente até se encontrar no fundo de uma cama.


É bom abrir um parêntese para lembrar que este caso é semelhante ao de muitos brasileiros que não possuem condições financeiras para uma boa educação. Eles tendem a ter pouco acesso às informações sobre como se proteger. Isso porque a maioria não sabe ler e o que vê pelas ruas não é compreensível ao seu vocabulário. Também pode ocorrer o caso de pessoas pobres, como Ricardo, tenderem a viver na periferia das cidades ou em áreas rurais remotas, que não recebem muitas visitas de pessoas com informações para compartilhar.


Após o vírus se alastrar, Ricardo teve problemas respiratórios, que paralisaram seus membros direitos, braço e perna, tornando-o impossibilitado de locomoção. A mãe de Ricardo e Charles tem problemas de coração. Charles contou que ela os visita duas vezes por mês, pois mora com a outra família, em Porto Alegre.


De acordo com o Censo Demográfico de 2000 (IBGE), quando a questão da deficiência foi investigada pela última vez, o Brasil tinha cerca de 1,5 milhões de deficientes físicos, destes mais de 930 mil usuários de cadeiras de rodas. Muitos têm uma vida ativa, trabalham e estudam e, por isso, precisam se movimentar pelas cidades. Eles vivem em busca dos seus direitos, exigindo que cada cidade promova o bem-estar que cada um necessita.


Ricardo não tem cadeira de rodas, nem conhece esses direitos. Tudo que deseja é ver a luz do dia e ter acesso à pequena vila em que reside.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Matos também são "usuários" das paradas de ônibus

Esperar o ônibus em algumas comunidades de Içara já se tornou uma tarefa difícil. Nos bairros localizados longe do centro da cidade o estado de conservação das paradas de ônibus é precário já que o excesso de mato, praticamente cobre o local de espera dos usuários.

Falta de segurança, insetos e bichos provindos do matagal são as principais consequências da falta de manutenção desses pontos.

De acordo com o secretário de obras, José Eloir do Nascimento, uma equipe de funcionários braçais é responsável pela conservação das paradas. Contudo, o grupo está reduzido a seis funcionários, que atualmente estão trabalhando na limpeza das unidades escolares e dos postos de saúde.

Segundo o secretário os serviços nas paradas devem ser realizados dentro de 15 dias. "A lei que permitia as contratações venceu e tivemos que despedir alguns trabalhadores, ficando com o quadro reduzido. No processo seletivo não apareceu muitos candidatos o que dificultou ainda mais o problema", explicou. "Agora provavelmente faremos uma licitação para tercei-rizar estes serviços", completou Nascimento.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Opinião: Expresso Coletivo Içarense: que vergonha!


Na manhã do último sábado, dia 15, precisei tomar um ônibus para me deslocar ao balneário Rincão. (dia inclusive que ocorreu a final do Garota Verão, por isso já era de se esperar o excesso de movimento).

Ao entrar no veículo, quase não havia acentos disponíveis e o movimento já era intenso. Mesmo assim, consegui um lugarzinho ao lado de um senhor. Foram preciso apenas duas paradas para que o veículo já estivesse com todos os lugares e corredor ocupados.

De início, achei normal. Tirei um livro da bolsa afim de desfrutar de uma boa leitura durante o percurso. De repente, o ar não era o mesmo naquele local. A mistura de perfumes, que dava sensação de enjôo, se tornou nula perto do constrangimento de estar quase em cima do senhor que estava ao meu lado.

Tirei os olhos do livro e não acreditei no que estava ocorrendo: o número de pessoas era suficiente para preencher quatro ônibus. O fluxo no corredor era tanto que eu, sentada, estava sendo empurrada para o lado (praticamente em cima do passageiro ao lado), porque aquelas pessoas que, como eu, pagaram (e não foi pouco) para estar ali, praticamente lutavam por um mísero lugar no corredor.

Que transtorno, que absurdo! O calor era intenso. O pior de tudo é que parecia que, de certa forma, aqueles cidadãos já estavam conformados com aquela situação. Ninguém questionou, ninguém reclamou. O que ocorria era alguns comentários isolados, que naquele momento não faziam diferença.

Crianças e idosos estavam a bordo e não foram respeitados. Onde está a fiscalização para barrar esses absurdos? De que adianta tanta aquisição de ônibus com ar-condicionado se, na hora da “pressão”, a empresa sequer é capaz de mandar outros ônibus para emergência. Tremenda falta de organização!

Agora eu alerto: empresários dessa empresa deveriam procurar ficar a par dos acontecimentos da cidade. Se a final do Garota Verão ia ocorrer no Rincão, o mínimo a se esperar é movimento intenso nessa data. Além do mais, os motoristas não enxergam o número de pessoas que saem da rodoviária? O leitor e todos dessa empresa devem concordar que o mínimo de sabedoria deixaria claro que o movimento de partida grande é consequência de outro grande movimento que já estará esperando nos bairros e no centro.

Obs: A imagem em questão não trata-se do registro real do acontecimento, sendo anexada apenas para ilustrar a idéia do leitor.

E continua a luta meio ambiente & Desenvolvimento


Tudo era calmo e tranquilo, até um barulho começar a causar a inquietação da comunidade de Treviso. A cidade era conhecida pelas cachoeiras e riquezas naturais que davam referencia ao pólo turístico, levando o nome da região a vários pontos do sul catarinense.


Certo dia, ouviu-se algo sobre o minério de carvão. Os moradores, que ainda não tinham muita noção do assunto, passaram a acreditar em técnicos que explicavam o quanto a tecnologia era moderna e que a mineração já não trazia prejuízos à natureza.


“Com o passar do tempo, frequentes ruídos geravam incômodo aqui no centro da cidade... Quando ficamos sabendo, a mina já estava passando por baixo das nossas casas a menos de três metros”, relembrou a comerciante, Ibraína Goulart, autora de todas as informações decorrentes até aqui.


Na sexta-feira, dia 14, representantes do Movimento Içarense Pela Vida, junto a algumas pessoas de Içara, viajaram à cidade a fim de visitar as zonas rural e urbana, onde constataram o estrago da mineração.


“Um agricultor daquela região tinha uma fazenda com dois lagos e dois poços. Ambos secaram e o cidadão perdeu 50% da produção e dos animais que tinha no local”, contou o engenheiro civil de Içara, José Dionísio Cardoso, que auxilia a perícia dos estragos causados pela mineração em Treviso.


De acordo com ele, mais de 90 csas foram prejudicadas e viveram a consequência da exploração. “Uma delas foi destruída duas vezes, até que finalmente os moradores tiveram que mudar o local”, ressaltou o engenheiro, lamentando a realidade na cidade.


O integrante do movimento, o empresário Renato Brígido, que representa a Igreja Católica na causa, faz um apelo à população: “O que encontramos em Treviso foi assustador. Se nós, cidadãos içarenses, não fizermos alguma coisa para impedir esta ação, teremos sérios prejuízos no futuro”, prevê.


De acordo com o representante religioso, não haverá recuperação ambiental. Ele ainda contou o episódio temível, também ocorrido em Treviso. “As vibrações decorridas da detonação do solo causaram rachaduras nas paredes das casas. Certa vez, a situação foi tão agravante que um morador nos contou que se surpreendeu quando uma garrafa de champagne caiu da prateleira”, contou Renato.


“Se a população deseja honrar com os seus filhos e com a futura geração, é preciso agora mesmo que se faça uma mobilização para sensibilizar as autoridades e dar um fim ao que já esta para acontecer”, sinalizou, completando.
O representante da Câmara de Dirigentes Logísticas (CDL), Jader de Souza, voltou surpreendido com o cenário que presenciou. “Não existe respeito com a comunidade nem responsabilidade com o meio ambiente”, protestou.


O Movimento Içarense Pela Vida está à disposição de quem quiser participar da luta contra a instalação da Mina-101 nas localidades de Santa Cruz e Esperança.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Necessidade do Plano Diretor em Içara


Pela manhã, ao abrir a janela de casa, a moradora do bairro Mira Sol precisa manter os olhos fechados. Em dias de ventos intensos, todo o ambiente fica tomado pela areia, que, misturada à sujeira das dunas, torna o local inadequado e sem estruturas físicas à sobrevivência.


O drama acima é vivenciado por esta cidadã que, sem condições financeiras, construiu a casa acima das dunas do Bairro Mirassol no balneário Rincão. Ela não quis se identificar com medo de lhe retirarem o único bem: a casa, que mesmo mal estruturada, lhe garante abrigo todas as noites.


Outros moradores do bairro vivem a mesma situação. A pobreza e as condições precárias obrigam essas famílias a se instalarem em locais impróprios, podendo causar danos às estruturas da cidade.


O Plano Diretor serve para regularizar, estudar e evitar estas e outras situações decorrentes em cidades em desenvolvimento. É um conjunto de regras básicas que determinam o que pode e o que não pode ser feito em cada parte de cidade.


Contudo, o Plano Diretor de Içara e das regiões que são contornadas pela BR-101 não tem se cumprido na região. Problemas que ocorreram na antiga gestão tiraram o foco dessa obrigação o que agravou ainda mais a situação. A empresa escolhida por meio da licitação não cumpriu com as demandas do acordo.


O impasse foi discutido ontem com a Procuradoria da república. Também participou do encontro representantes da empresa Hardt Engemi, que teria que apontar os rumos para um desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente equilibrado das regiões e não o fez.


O procurador do município, Walterney Réus, esteve no encontro para tentar regulamentar a questão que é de obrigação de toda cidade com mais de 20 mil habitantes.
Agora cabe a administração Municipal, direcionar moradias estruturadas para as famílias, que, com certeza, não serão desamparadas.

Contar, ilustrar ou repetir?


por Kelley Alves



Os jornalistas da sociedade contemporânea a cada dia têm buscado meios que venham a fazer a diferença dentro do âmbito social. Cada profissional, que tem por objetivo representar a sociedade, se vê diariamente com o famoso questionamento: quais ferramentas são necessárias para que o jornalismo ganhe sentido na vida das pessoas?


Alguns optam por contar o fato. Outros acham o bastante repetir tudo o que já foi falado, mas seriam estes os representantes que o mundo atual necessita para ser bem representado perante os inúmeros problemas que assolam o mundo?


É fácil notar a diferença de um jornalista “apaixonado” e de um profissional apenas interessado em cumprir as tarefas do dia-a-dia. Comecei a notar esta diferença quando passei a ler textos literários. Este é o ponto! O jornalista que se submete a fazer este trabalho é aquele que vive a situação, que vive a personagem. Aquele que faz o leitor “saborear” o contexto, de forma que torna-se dispensável o uso de imagens, já que as próprias linhas por si conseguem assimilar cada episódio e cada característica, em um mundo em que o próprio leitor passa a participar e viver, a partir do momento em que começa a leitura.


O jornalista apaixonado é aquele que não mede esforços para ir em busca dos fatos, aquele que cumpri fielmente com o papel que tanto aprendeu nos bancos universitários: representar as pessoas e a desigualdade social. Ele combate a corrupção e não se deixa levar por doutrinas partidárias ou subornos financeiros. Afinal, se a realidade é dura e injusta, então o papel do jornalista é o de lutar para defender a causa da sociedade e, se possível, ser advogado desta.


É preciso contar ao mundo o desconhecido. Aquele pedacinho de terra jogado às margens de uma sociedade bem estruturada também vive, também pensa e principalmente tem dificuldades de sobrevivência. O cenário dramático e obscuro de um povo que luta com dificuldades apenas pelo “pão de cada dia” precisa se tornar a principal manchete de revistas e jornais. Precisa ser o alvo dos jornalistas. Só quando isso acontecer, o profissional que estuda para representar o povo, finalmente estará cumprindo com o seu real papel na sociedade.